Confronto
Riven desviou o olhar com vergonha de seus atos.
— Eu… — Ele parou por um instante. — Aceito qualquer punição sobre meus atos, mas aquele garoto não pode fazer parte do nosso grupo. — Riven retrucou.
— O Gabriel não é igual a Karla, Edd e o Geo. — Kaelis o repreendeu. — Ele é mais forte do que eles, e capaz de se defender, e defender os outros a sua volta, foi para isso que treinamos ele por todo esse tempo, por que eu vi o potencial dele, e quis lapidar ele.
— Eu não posso... eu não posso deixar outra criança morrer, não de novo, não depois de matar aqueles três. — Riven respondeu, com flashes da morte dos três passando pela sua memória. — Aquela Theronyx.
Uma quimera, com cabeça de leão com pernas curtas e garras enormes como as de um urso, um corpo coberto por escamas e espinhos, com duas caudas, uma de escorpião, e a outra sendo uma serpente, Karla foi morta pisoteada por suas patas, Edd foi atravessado pela cauda dele, que parecia como um ferrão, e Geo foi devorado, antes de Kaelis despertar o Excidium e Ensis e cortar a cabeça do Theronyx.
— Se não fosse a minha ganância pela fama, meu ego, aqueles três ainda estariam vivos. — Riven declarou, chorando.
No corredor, Gabriel ouviu a conversa deles, assim como a culpa que Riven carrega.
— Se você queria o bem dele, por que atacou ele pra matar? — Alastor perguntou.
— Foi o Excidium. — Aeron respondeu. — Ele foi consumido pela insanidade do Excidium. — Esclareceu.
— Por isso você tentou se matar com a espada, por ter levantado sua espada para um garoto com a intenção de tirar sua vida, estou errada? — Lilith perguntou, mas Riven permaneceu em silêncio, apenas balançando sua cabeça.
— Você não vai ser punido Riven, mas você vai ter que se desculpar com Gabriel, e vai ser agora. — Kaelis afirmou.
Riven hesitou, mas concordou, indo ao quarto de Gabriel, e se espantando ao ver seu quarto vazio, voltando para avisar os demais.
— O quarto dele está vazio, — Riven anunciou.
Gabriel tinha pego sua espada, um mapa até o ninho dos orcs que havia pego no quarto de Kaelis enquanto todos estavam ocupados com Riven, saiu do castelo e pegou um dos cavalos que estava dormindo.
— Ei… — Murmurou baixinho para o cavalo. — EI! — Ele aumentou o tom, acordando o cavalo.
O cavalo se levantou, ele tinha 8 patas, 3 pares de olhos vermelhos profundos e de cor preta.
— Ei garotão. — Gabriel se aproximou dele, com a mão aberta.
O cavalo bufou, com chamas saindo de sua boca.
— Garota? — Ele se corrigiu, e o cavalo assentiu.
Gabriel tentou avançar para domar ela, conquistar sua confiança, mas ela se recusou.
— Qual é? Por favor, eu preciso chegar em um lugar, é importante. — Gabriel tentou novamente, mas sem sucesso.
Até que ele se lembrou de quando outros soldados tentavam domar um cavalo, eles ofereciam frutas, até cubos de açúcar, Gabriel tirou uma maçã de uma pequena bolsa que ele carregava,junto a algumas bananas.
— Eu estava guardando isso pra quando chegasse lá, não ficar sem energia, mas se você me levar até lá você pode comer tudo. — Ele ofereceu para a égua.
Ela sentiu o cheiro das frutas e ergueu o rosto, ela podia notar a bondade e pureza no olhar de Gabriel, de quem não iria lhe fazer mal, ela se ergueu e bufou novamente, mas sem fogo, ela comeu as frutas e se curvou para Gabriel logo em seguida.
— Você… deixa? — Ele tocou em sua cabeça.
A égua assentiu com a cabeça, Gabriel alisou sua crina e subiu logo após, Gabriel pegou o mapa de sua bolsa, a égua bateu com o casco no chão, como se pedisse por algo, pelo mapa, Gabriel desceu e mostrou a ela, o outros dois olhos da égua se acenderam, e ela se curvou novamente para Gabriel subir nela.
— Não deve ser tão difícil assim, deixa eu ver… — Era sua primeira vez montando um cavalo.
A égua bufou novamente, dessa vez como se quem estivesse sem paciência, e disparou em direção a caverna.
— Vai com calmaaaaaaaa… — A voz de Gabriel ficou distante.
Todos estavam preocupados com o sumiço repentino de Gabriel, eles o procuraram dentro do castelo, alertaram os guardas, até mesmo Kaelis, Riven e Alastor tentaram usar seus Sentire, para o rastrearem por entre o vilarejo, mas sem sucesso.
— Onde será que ele se enfiou? — Kaelis perguntou preocupada.
No mesmo instante, Aeron teve um momento de clareza.
— A caverna dos orcs. — Aeron supôs. — Eu disse para ele que no fim do treinamento dele você o levaria para dar um fim neles.
— Mas que porcaria Aeron. — Kaelis o repreendeu. — Lilith, você selou a região com um domo etéreo não foi, consegue nos teletransportar para lá?
— Não vai dar, minha barreira acabou de ser destruida. — Respondeu de imediato, surpresa.
— Gabriel? — Questionou Amara. — Mas ele acabou de aprender sobre o fluxo da magia, e já consegue desfazer magias assim com tanta facilidade.
Riven e Kaelis foram para o estábulo onde pegaram um cavalo e foram em direção a caverna.
— Merda, merda, merda, se algo acontecer com ele, eu nunca vou me perdoar. — Riven murmurava nervoso e preocupado.
— Tenha um pouco de fé no garoto. — Respondeu Kaelis o tranquilizando. — Afinal ele te pressionou bastante, até mesmo te cortou.
Gabriel cavalgava montado na égua, que parecia estar correndo pelo ar de tão veloz, sentindo.
— Espere por mim mãe! — Mas ele sentiu uma sensação de perigo, e tentou puxar as rédeas da égua, que também pressentiu o perigo e desviou no mesmo instante de 3 flechas.
Gabriel desceu dela, vendo apenas arbustos e árvores, mas ele sabia que tinha algo a mais, desviando de outra flecha que vinha de sua lateral, a segurando com a mão.
— Por que não me atacam de frente dessa vez? — Ele os desafiou, quebrando a flecha.
Dúzias de orcs surgiram do escuro da floresta, Gabriel os encarou com uma raiva reprimida, se lembrando de seus amigos, casa, e entes queridos que foram atacados, ele avançou em direção aos orcs, que responderam avançando, o primeiro tentou um perfurar sua cabeça com uma pequena faca, mas ele desviou, partindo-o ao meio com um único golpe, espalhando seu sangue e tripas no chão.
— O próximo? — Disse Gabriel, limpando o sangue de seu rosto.
Enquanto iam as presas atrás de Gabriel, Kaelis e Riven conversavam.
— Riven, você promete ser mais razoável com o Gabriel de agora em diante? — Perguntou.
Riven se manteve em silêncio, enquanto cavalgava.
— RIVEN!
— Eu prometo… — Murmurou.
— Ele pode ter sido descuidado e impulsivo indo atrás dos orcs por conta própria, mas ele não é o mesmo de antes, ele pode até mesmo segurar o líder dos orcs até que a gente chegue para o ajudar a finalizar ele. — Afirmou Kaelis.
— Não… — Riven respondeu. — Ele pode até mesmo derrotar o líder.
Na entrada da caverna, Gabriel havia desfeito todos os selos de Lilith, e exterminado o onda de orcs inferiores que o atacaram, ele estava coberto de sangue, mas não dele. a caverna escura era escura, mesmo seu Sentire não poderia cobrir a caverna por inteiro, ele fez uma pequena chama surgir em sua mão com o Éter.
— Estou chegando mãe. — Afirmou Gabriel.
Conforme ia adentrando a caverna, Gabriel notou a presença de orcs inferiores, que o atacaram, mas Gabriel os derrotou sem dificuldades, até se deparar com um orc similar ao que enfrentou no passado, o orc avançou mas Gabriel cortando seu corpo ao meio com um balançar de sua espada, ele continuou, derrotando todos os orcs que encontrava, até notar uma fenda a fundo da caverna, que o fez encarar algo que o espantou, usando seu Sentire para cobrir aquele espaço.
“Essas presenças, deve ter centenas deles...” — Gabriel se deparou com o ninho dos orcs.
Descendo pela fenda, atraindo a atenção de todos os orcs que existiam ali.
“Uns cinquenta pequenos, vinte dos médios, vinte e um... magos? E... oito grandões, e um líder sentado em um trono de caveiras... humanas?” — Gabriel apontou sua espada para eles. — Onde está a minha mãe? — Questionou furioso.
Um orc caminhou até ele, segurando um cutelo, e de tapa-olho.
— Você… — Gabriel rangeu os dentes.
— BWHEHEHA! — O orc rugiu, golpeando a frente com uma velocidade surpreendente.
Gabriel desviou, revestindo seu corpo com Éter e Impetus, ele socou o estômago do orc, o fazendo vomitar sangue.
— Isso é por mim. — Afirmou, cortando seu peito ao meio no instante seguinte, fazendo seu tronco cair separado do resto do corpo.
Sua lâmina emanava uma tênue aura avermelhada.
— Assim como vocês destruíram e mataram o povo do meu vilarejo, eu vou exterminar vocês! — Gabriel declarou, olhando o orc sentado no trono de caveiras, e vendo sua mãe pendurada atrás dele. — MÃE! — Ele rugiu.
Avançando para cima dos orcs pequenos, que correram em sua direção, ele ativou seu éter.
— Afinidade, Impetus e Sentire.
Gabriel cortou os goblins com facilidade, até que os magos o conjuraram uma enorme bola de fogo desajeitada e rude, e atiraram em sua direção, os orcs se afastaram de Gabriel, que parou o ataque no ar, moldando-a em flechas de fogo com seu Éter e carbonizando o restante dos orcs menores junto aos magos, com exceção de um que correu para próximo do que aparentava ser o líder, os orcs medianos foram para cima de Gabriel, que esquivou de todos os ataques.
— Tão fracos. — Afirmou Gabriel, pulando e cortando a cabeça de 3 que tentaram o atacar.
Os 17 que restaram recuaram.
— BASTA! — Ordenou o soberano orc, se levantando.— O QUÊ QUERES AO PROFANAR NOSSO NINHO DE FORMA TÃO ABRUPTA E CEIFANDO A VIDA DE MEUS FILHOS, SEU PEQUENO INSOLENTE?. — Questionou o líder orc em um tom arrogante.
Gabriel respondeu surpreso o orc, após o ouvir falando.
— Vocês atacaram minha vila primeiro, incendiaram nossas casas, nos executaram como se fossemos animais, não venha pedir motivo agora, isso é uma retaliação! — Respondeu Gabriel, expressando ódio.
— INSENSATO! HUMANOS DÉBEIS, NADA SOIS SENÃO PRESAS DIANTE DE NÓS. VOSSA FRAGILIDADE CLAMA POR SUBMISSÃO. O QUE VOS INFLIGIMOS NÃO É CRUELDADE, MAS O DIREITO INEVITÁVEL QUE NOS CABE SOBRE VÓS, VOSSA FRÁGIL RAÇA, NOSSA PROPRIEDADE. — Afirmou o líder dos orcs com desprezo e superioridade.
Gabriel ouviu sua declaração, fazendo seu sangue ferver, e atacando-o, sem sucesso, sendo impedido pelos orcs restantes, que o fazem voar para longe, colidindo com as paredes da caverna, sendo soterrado por algumas rochas que desabaram sobre ele.
— VÊS AGORA, HUMANO TOLO? EIS O ABISMO QUE NOS SEPARA, NÃO APENAS EM FORÇA, MAS EM ESPÉCIE. AGORA, CURVA-TE AO DESESPERO E PROVA O QUÃO ÍNFIMO ÉS PERANTE A MIM O SOBERANO DOS ORCS— Afirmou o líder dos orc, o menosprezando novamente.