O Gênio Prodígio
Gabriel se levantou dos escombros, sem muitos danos.
— Infelizmente pra você, soberano de merda, o desespero só me fortalece. — Ele retrucou, cuspindo um pouco de sangue.
— INSOLENTE! PAGARÁS CARO POR TAL BLASFÊMIA. HEI DE FAZER-TE DEFINHAR, ATÉ QUE AGONIZES, AFOGADO NA MÍSERA POÇA DE TEU PRÓPRIO SANGUE. — Respondeu o rei dos orcs
Emanando a aura magenta de seu Éter ainda mais forte do que antes, sendo atacado por todos ao mesmo tempo, estendendo a mão em direção a eles.
— Rift. — Fechando a mão e arrancando o coração dos 17 restantes, os matando instantaneamente. — Vocês são pouca bosta pra mim.
— REFORÇAR! — Conjurou a última maga orc, aumentando os atributos dos oito restantes.
Gabriel avançou golpeando, mas estava sendo repelido.
— Aegis! — Gabriel manifestou uma muralha transparente, bloqueando e defletindo os ataques, fazendo os orcs serem arremessados para longe, tentando atacar a última maga restante, mas sendo impedido pelo líder dos orcs, que conjurou uma parede de chamas.
— MURALHA DE CHAMAS! — Evocou o líder dos orcs.
— Outro mago, isso tá ficando chato. — Resmungou.
Sendo atacado por um dos orcs que foi repelido por Gabriel anteriormente após serem defletidos.
— Muito lento. — Disse Gabriel, desviando e arrancando sua cabeça, o fazendo ficar coberto com o sangue do orc.
— REFORÇO QUÁDRUPLO, HINO DOS GIGANTES, BENÇÃO DA GRANDE MÃE!. — Conjurou a orc, nos que restaram.
Quadruplicando o tamanho deles, junto de suas forças, um deles foi para cima de Gabriel com um soco, Gabriel bloqueou com sua lâmina, mas sem sucesso ao cortar, fazendo apenas um arranhão superficial.
— Éter... — Deduziu Gabriel, reforçando sua espada, já apresentando sinais de exaustão, devido sua luta anterior com Riven.
Indo para cima do orc novamente, conseguindo cortar sua mão e braço ao meio.
— BERSERKER. — Conjurou a orc, fazendo com que o corte cessasse o sangramento, e se fechasse temporariamente.
— Excidium? — Gabriel se surpreendeu, desviando de um soco a queima roupa do orc, que pegou de raspão em sua cabeça, abrindo um pequeno corte sobre sua sobrancelha esquerda.
Os outros dois o atacaram simultaneamente.
— HINO INCENDÁRIO! — Conjurou a orc sobre os dois, fazendo emanarem um ar quente ao seu redor, queimando o ar.
Gabriel segurou o ataque de ambos, sendo apenas afastado um pouco para trás, revestindo a espada com Éter e Impetus, os cortando e anulando todos os fortalecimentos e reforços que lhes foram concebidos antes, abrindo o peito de um deles, e logo após cortando sua cabeça, e cortando o outro ao meio em seguida.
— Patético. — Afirmou Gabriel, desprezando os orcs.
— FAÇA! — Ordenou o líder dos orcs, para a maga.
— CERTO! — Assentiu a maga. — BESTA FUNDIDA REPULSIVA, HECATONQUIRO. — A maga evocou uma fusão dos 5 orcs remanescentes em um, possuindo agora dez braços deformados, e 4 cabeças, que desciam até seu peito, mantendo os reforços lançados anteriormente.
Eles para cima de Gabriel, que desviava dos ataques apresentando uma dificuldade, o líder dos orcs acenou para a maga, que conjurou outra bola de fogo em sua direção. A magia da orc, iluminou toda a caverna, junto as caveiras no trono do soberano e o rosto pálido da mãe de Gabriel, que o fez desviar a atenção por um instante, o suficiente para o hecatônquiro o golpear diversas vezes e colidir novamente contra a parede, Gabriel se levantou cansado, mas ergueu novamente sua espada, ele bloqueava, desviava e contra-atacava, mas seus movimentos já estavam mais lentos, sua respiração irregular. O corte em sua sobrancelha pingava sangue, turvando sua visão.
— Merda... — murmurou, reforçando sua lâmina com Éter e Impetus.
O monstro rugiu, cuspindo chamas de uma das cabeças, ao mesmo tempo em que outro punho colidia contra a lâmina de Gabriel. O impacto o jogou de joelhos no chão.
— HAHAHA! VÊS, HUMANO? TEU FÔLEGO ESGOTA-SE, TUA FORÇA VACILA! — O líder gargalhou, com os olhos demonstrando escárnio.
A bola de fogo da maga foi arremessada. Gabriel, em um último impulso, ergueu sua espada diante de si.
— Aegis! — Gabriel gritou, criando um escudo translúcido, que repeliu a magia.
Gabriel então fechou o punho, e os fragmentos se moldaram em lanças flamejantes e com um gesto, ele as lançou contra o hecatônquiro, perfurando suas cabeças e torso, o fazendo rugir em desespero antes de desabar em agonia, enquanto seu sangue borbulhava e seu corpo queimava. Astradamas despertou após todo o tumulto, olhando ao seu redor, vendo que os orcs estavam sendo dizimados por uma única pessoa. A maga orc, aterrorizada, caiu de joelhos, Gabriel caminhou até ela, com passos trêmulos e o corpo cambaleante, cortando sua cabeça com um único corte, a fazendo tombar sem vida. O silêncio tomou conta da caverna, sendo interrompido apenas pelo respirar pesado de Gabriel, e logo após por sua mãe.
— GABRIEL!? — Gritou.
O soberano orc se ergueu de seu trono, emanando uma presença esmagadora que dominava o espaço.
— VOCÊ É A PROLE DESTA FÊMEA? — Questionou. — A GRANDE MÃE ORDENOU APENAS PARA POUPA-LÁ, EU ME DIVERTIREI FAZENDO COM QUE ELA TESTEMUNHE EU PARTINDO AO MEIO E ME EMBEBEDANDO NO SEU SANGUE!
— A presença de Riven era mais sufocante do que isso. — Murmurou Gabriel ofegante, ignorando o orc. — Mãe! Eu vou salvar a senhora. — Ele se virou para o orc, que ergueu um enorme machado que mantinha guardado atrás de seu trono. — Assim que eu der um fim a esse verme.
— HUMANO IMPURO... DESTRUÍSTE MEUS FILHOS, MEUS CAMPEÕES, MINHA PROLE! PAGARÁS COM TEU CORPO, COM TEU SANGUE, COM TUA ALMA!
O soberano disparou em direção a Gabriel como uma avalanche. O chão tremia a cada passo, Gabriel já exausto, ergueu a espada para o confronto final.
— EMBUIR CHAMAS! — Conjurou o orc soberano, fazendo as lâminas de seu machado se acender em fogo.
O impacto ressoou pela caverna, as lâminas se chocaram, as faíscas iluminaram a caverna junto às chamas do machado do rei orc, o tilintar fez Astradamas desviar o olhar por um instante. Gabriel estava sendo pressionado, forçado a recuar constantemente.
“Merda, cada golpe faz meus ossos rangerem de dor, meus músculos parecem que vão se partir”. — Ele se mantinha firme.
— DIGA-ME FÊMEA, COMO É A SENSAÇÃO DE SER O FRUTO DE SEU VENTRE SENDO MORTO NA SUA FRENTE? — O orc perguntou, rindo.
Gabriel se recompôs e avançou novamente, o orc golpeou com força.
— ÍMPETO BESTIAL! — Rugiu, seu machado assumiu uma aura rubra.
“Impetus?”
O impacto fez todo o corpo de Gabriel tremer, seus pés estavam cravados no chão, ele estava sendo esmagado.
— GABRIEL!! — Sua mãe gritou em desespero, tentando forçar as trancas em que estava presa.
Gabriel gritou com raiva e desespero, todo seu Éter e Thyr concentrados se tornaram mais densos e mais fortes, ele estava evoluindo novamente.
— Bulwark… Ensis! — Gabriel rugiu.
Sua lâmina emanou uma luz rubra e alaranjada, cortando através do machado o explodindo em chamas e atravessando o corpo do soberano orc. O gigante recuou, parando por um instante, arregalando os olhos em descrença.
— IMPOSSÍVEL... UM... MERO HUMANO... — Murmurou, antes de seu torso cair separado de seu corpo.
Gabriel também cedeu, com o corpo coberto de sangue orc e o seu próprio. Sua espada caiu ao chão, ele arfava, com a visão turva e um sorriso cansado.
— Eu... disse... que iria... exterminar vocês... — Murmurou, antes de tombar inconsciente.
— GABRIEL! FILHOO!! GABRIEL! — Ela estava desesperada, mas seus esforços foram em vão, as correntes inibiam e sugavam sua força, a fazendo desmaiar em seguida.
A caverna, agora silenciosa, era o túmulo de um exército inteiro, o cheiro de sangue, ferro, fumaça e carne queimada impregnava o ar pesado, passos apressados ecoaram na entrada, eram Kaelise Riven, que finalmente o alcançaram após a batalha, e após alguns segundos Amara, Lilith, Alastor e Aeron.
— Gabriel! — Gritou Kaelis, correndo até ele.
Encontrando-o caído em uma poça de sangue, coberto de feridas, respiração fraca, mas presente com resquícios de um brilho magenta se esvaindo.
— Ele está vivo! — Exclamou Lilith, acompanhada de Alastor e Aeron, que se surpreenderam vendo o tanto de cadáveres que haviam na caverna.
Amara suspirou aliviada, caminhando até ele, e ajoelhando-se ao seu lado e estendendo as mãos sobre ele e o curando.
Aeron cerrou os punhos.
— Gabriel lutou sozinho contra um exército, é um milagre que ele ainda respire.
Os olhos de Gabriel entreabriram-se por um instante. Ele olhou os rostos de seus amigos, exausto, mas com uma centelha de orgulho.
— Mã…mãe… — Ele apontou com muito esforço para onde ela estava presa, atrás do trono de caveiras.
Riven foi até ela no mesmo instante, se espantando com sua aparência, ela estava esquelética, cabelo desgrenhado, pulsos e pés quebrados.
— Gabriel não pode ver ela nesse estado. — Ele murmurou, a libertando e a pondo sobre seu ombro.
— Eu... sei cuidar de mim mesmo... Eu não sou um fardo... Riven. — A voz de Gabriel saiu rouca, quase inaudível.
— Cala a boca, idiota, não gaste forças! — Respondeu Amara, dando um cascudo nele, o fazendo desmaiar novamente, sendo repreendida por todos, e se desculpando logo após.
Riven foi até Gabriel que estava inconsciente.
— Me desculpe Gabriel, você não é fraco, você é forte, e digno de ser um de nós, me desculpe. — Riven chorava enquanto se desculpava com Gabriel.
— Ei, essa no ombro dele é a mãe do Gabriel? — Amara indagou.
— Aparentemente sim. — Lilith respondeu.
— Ela foi torturada… — Alastor complementou, olhando seus machucados.
Amara se levantou e caminhou até Riven, que tinha Astradamas no ombro, a curando superficialmente.
O silêncio tomou conta novamente da caverna, todos trocaram olhares, pesados, mas também cheios de respeito.
— Vamos levá-los imediatamente para o castelo. — Disse Kaelis.
Com Gabriel e Astradamas recuperados, eles deixaram para trás o ninho dos orcs, apenas com seus restos mortais. E assim, o eco daquela batalha seria lembrado, um único humano, um garoto de 14 anos, que contra a maré da brutalidade, havia derrotado o soberano dos orcs e sua prole, um verdadeiro gênio. Lilith os teletransportou de volta para o castelo, abrindo suas portas com estrondo, entrando carregando Gabriel, inconsciente, porém vivo. Os guardas e servos olhavam entre si chocados, o garoto havia retornado coberto de sangue, não apenas dele, mas de dezenas de orcs. No salão do castelo, o povo reunido começou a murmurar.
— Ele voltou... — Sussurrou uma empregada.
— Sobreviveu ao covil inteiro? — Espantou-se uma nobre.
— Um garoto... sozinho... — Completou outro, sem acreditar.
Kalchas abriu caminho entre a multidão, o coração apertado. Ao vê-lo inconsciente, e Astradamas junto a ele.
— Seu idiota... Gabriel... — Murmurou em voz baixa. —
No salão do castelo, Gabriel repousava em uma maca improvisada ao lado de sua mãe, até que o rei apareceu, rodeado por cavaleiros e conselheiros. O silêncio tomou conta, ele os observou, ao lado de Kaelis e seu grupo.
— Um aprendiz, dizem... — A voz do rei ecoou firme. — Mas o que vejo diante de mim não é um aprendiz, é um guerreiro que carregou sozinho o peso de uma guerra.
O rei que andava junto a sua espada a pousou diante do corpo de Gabriel, que, mesmo exausto, despertou por um instante.
— Gabriel, filho de Kalchas e Astradamas. Em nome do reino de Aethernys, eu vos concedo o título de Aprendiz da Herói, sendo um herói em iniciação. Que tua coragem seja registrada em nossas crônicas.
Aplausos e aclamações tomaram o salão. Gabriel, trêmulo, apenas inclinou a cabeça, com um sorriso cansado.
Mas a celebração foi breve. Assim que o rei se retirou, vieram os demais heróis.