— Ei, Gabriel! Vença o Riven, viu? — Gritou um deles.
— Acaba com a raça dele, garoto! — Outro bradou animado.
Gabriel seguiu caminhando calmamente até a arena, o sorriso discreto ainda em seu rosto.
— Ei, é verdade! Está quase na hora da luta dele! — Avisou alguém, e de repente todos
pararam o que estavam fazendo.
A multidão seguiu Gabriel até a arena, enchendo as arquibancadas enquanto o herói entrava
na sala de espera. Ali, antes do combate, recebeu a visita de seus pais.
— Hm... mãe, pai! — Gabriel exclamou, correndo em direção a eles.
— Ora, ora... mal chegamos e você já nos notou. — Disse sua mãe, sorrindo com ternura. —
Está tão crescido... e mais forte do que nunca.
— Escuta, filho... — Começou seu pai, apoiando uma mão em seu ombro. — Essa espada foi
um presente de um antigo amigo nobre, como agradecimento por eu tê-lo ajudado após
uma visão. Eu pretendia passá-la a você um dia, mas... parece que não vai mais ser
necessário, já que você a “tomou emprestada”, hahaha. — Comentou quebrando a tensão.
— Hehe... desculpa. — Respondeu Gabriel, sem graça.
— Sem problemas, ela é sua. — Respondeu ele.
Os dois o envolveram em um abraço apertado.
— Vença, meu filho. — Disse Astradamas, a voz carregada de emoção.
Seu pai bagunçou o cabelo dele e completou.
— Você é um garoto incrível, Gabriel. Nunca se esqueça disso.
Eles se afastaram lentamente, deixando o filho sozinho no corredor que levava à arena.
Gabriel fechou os olhos, sentindo o coração pulsar com força, um calor intenso misturado à
determinação o preenchia por completo. Lá fora, o som das arquibancadas ecoava como o
rugido de uma fera ansiosa. O rei Uther levantou-se de seu trono provisório, e uma pequena
esfera luminosa materializou-se diante dele. A esfera o seguia, amplificando sua voz por toda
a arena.
— Cidadãos de Aethernys! — Anunciou o rei, sua voz ressoando como trovão. — Hoje, mais
uma vez, contemplaremos a coragem e a determinação de nossos heróis!
O público vibrou, gritando e aplaudindo.
— Neste dia, presenciaram dois duelos memoráveis, Gabriel contra Riven... e, logo após,
Kaelis contra Lilith! — Declarou ele, erguendo o braço.
A multidão explodiu em gritos, as bandeiras tremulavam, e o chão parecia pulsar junto ao
clamor do povo.
O público estava animado com o duelo, o rei deu um passo à frente, anunciando.
— Agora... que entrem os participantes! — Proclamou o rei, e a arena silenciou em
expectativa.
O primeiro a surgir foi Riven, empunhando a Flecha Versátil. Sua expressão era séria,
determinada, o silêncio do público contrastava com a intensidade que irradiava dele. Logo
em seguida, Gabriel atravessou o portão da arena, envolto por uma aura dourada suave, o
sol estava escuro, mas isso não quebrou a confiança de Gabriel. Os dois pararam frente a
frente. Nenhuma palavra era dita, apenas o som do vento, era ouvido.
Mary ergueu a mão, conjurando o domo de energia ao redor da arena.
— Declaro o início do sexto duelo... Gabriel contra Riven! — Anunciou o rei.
O público explodiu em gritos, bandeiras tremularam. Um espectador, nervoso, suava tanto
que uma gota escorreu de sua testa e caiu ao chão, e naquele exato instante, os dois
avançaram. O impacto do primeiro choque fez a arena inteira estremecer. As lâminas
colidiam e faiscavam como trovões comprimidos. O domo de Mary vibrou violentamente.
— Você ficou mesmo mais forte, garoto... — Riven comentou, os olhos faiscando de
energia.
— Não vou pegar leve.
— Eu não esperava nada menos de você. — Respondeu Gabriel, empurrando-o para trás
com um chute e saltando para se reposicionar.
Riven aterrissou e, sem hesitar, ativou seu despertar, agora com sete satélites o orbitando, o
corpo dele emitia relâmpagos e luz pura, até o ar ao seu redor se eletrificou. As esferas
dispararam em sequência. Gabriel desviou, girou, e os disperçou, sem desperdiçar seus
movimentos, quase como uma dança.
— Impetus! — Murmurou Riven.
As esferas e o raio em sua mão ficaram vermelhos. Ele lançou tudo de uma só vez. Uma
explosão colossal ergueu uma cortina de fumaça. Quando ela começou a se dissipar, Gabriel
cortou o véu de cinzas, sua lâmina cuspia fogo. Rajadas solares avançaram contra Riven, que
desviava, aproximando-se para um novo confronto corpo a corpo. Gabriel agora emanava
uma aura flamejante, mas ainda se continha. As espadas voltaram a colidir, a arena tremia
com cada choque. Riven chamou de volta os satélites e os reconfigurou em volta de sua
lâmina. Ao colidir novamente, uma explosão de plasma engoliu Gabriel. O ar secava a cada
segundo. Os lábios de alguns espectadores começaram a rachar.
— Ai, meu lábio cortou... — Reclamou uma mulher.
Lilith ergueu uma mão e conjurou cubos de gelo para refrescar todos.
No centro da arena, Gabriel sangrava, um leve corte em seu supercílio. Ele limpou o sangue
e murmurou.
— Já está quase na hora.
Sua lâmina começou a brilhar em tons de vermelho e laranja incandescentes, instável mas
firme.
— Impetus, Aegis. — Murmurou Gabriel.
Ele avançou com velocidade surpreendente. Riven saltou aos céus e disparou outro raio,
cercado pelos três satélites restantes.
— Ensis. — Sussurrou Riven.
O raio e as esferas se tornaram brancas, pura energia, Gabriel os cortou com um único
movimento. Nenhuma explosão. Nenhum som. Apenas silêncio.
— O quê...? — Riven arregalou os olhos.
— Como ele fez isso? — Amara exclamou.
Kaelis observava em silêncio, estreitando os olhos para a coloração da lâmina de Gabriel —
vermelho e laranja, girando em chamas vivas.
Gabriel apontou a espada para o céu.
— Solaris Percussio. — Murmurou.
Uma lança de fogo azul cortou o ar em direção a Riven, que desviou, o ataque perfurou o
domo de Mary e atravessou os céus.
— Ele destruiu o domo da Mary com um golpe... — Sussurrou Lilith, boquiaberta.
Mary ergueu as mãos para reparar a barreira, mas Riven a impediu.
— Não. Concentre-se em proteger as arquibancadas. — Ordenou.
Ela hesitou, depois assentiu, conjurando uma barreira protetora ao redor do público.
Então, o inesperado, os céus escureceram. Nuvens densas cobriram o sol, e uma chuva fria
começou a cair, antes mesmo do meio-dia.
— Já era ora. — Murmurou Riven, confiante.
Riven sorriu, se impulsionando até o alto, desaparecendo entre as nuvens carregadas.
— Seu sol se foi, Gabriel... — Ele gritou.
As nuvens se fechavam como muralhas, girando sobre si mesmas. O som do trovão ecoava
tão alto que fazia vibrar o solo e o ar dentro dos pulmões de todos. Os raios serpenteavam
nos céus. Riven pairava entre as tempestades, um vulto envolto em relâmpagos.
— Hora de acabar com isso. — Murmurou, e o raio o engoliu por completo.
A luz se concentrou no centro das nuvens, uma esfera de energia branca, viva, pulsante.
Todos na arquibancada estavam estáticos, até o som cessou.
De repente, a tempestade caiu.
Um clarão cortou o céu em mil direções, e Riven desceu com ela, arrastando uma enxurrada
de raios que se fundiam e se rasgavam no ar. Era como se o próprio céu estivesse sendo
arremessado contra a terra.
— Keraunon Divinus! — Bradou ele, e o relâmpago rugiu vorazmente.
A descarga atingiu o centro da arena. O impacto foi tão brutal que a arena foi
completamente destruída, e a barreira de Mary estilhaçada, Mary se espantou e ergueu as
mãos, conjurando uma nova barreira, o ar se fragmentava em linhas de luz. O chão se partiu,
as colunas cederam, e a arena inteira foi engolida, um silêncio perdurou por um momento,
as nuvens de chuva se dissiparam logo após.
— Único disparo... tudo bem. — Murmurou Riven, descendo lentamente.
Dos céus, Riven descia ofegante. O campo abaixo era uma cratera. O público estava em
choque. Ninguém ousava aplaudir, gritar ou se mover. Entre as chamas e o vapor, a silhueta
de Gabriel podia ser vista, ajoelhado, a Incisão Solar cravada no chão, ainda flamejante,
embora a chama tremesse. Os olhos de Riven se arregalaram.
— Ele... ainda está de pé?
Nas arquibancadas, Kalchas se levantou num sobressalto.
— Gabriel...! — Chamou com a voz trêmula.
Sua mãe levou a mão à boca, o olhar.
— Vamos lá Gabriel...
As nuvens se dispersaram, revelando o sol. Gabriel se erguia em meio à poeira e aos
escombros da arena, o corpo queimado em diversos pontos, cambaleante, mas sorrindo.
— Eu estou enfrentando outro zumbi? — Murmurou Riven, tocando o chão, a voz carregada
de sarcasmo e uma visível exaustão.
O sol ardia distante do meio-dia. Gabriel fechou os olhos por um instante e, ao abri-los, suas
íris queimavam como dois sóis. O ar vibrou, e em um passo, ele desapareceu. Riven mal o
viu, apenas sentiu o corte do vento. Quatro satélites elétricos surgiram atrás dele, orbitando
como luas furiosas.
— Impetus, Aegis. — Murmurou Gabriel.
O primeiro soco partiu o ar. Um dos satélites explodiu em um clarão branco.
— O quê...? — Riven se surpreendeu, recuando.
Gabriel avançou, cortando os outros três com movimentos fluidos, precisos, Riven saltou
para trás, reunindo o Éter nas mãos.
— Ensis! — rugiu.
Um raio de plasma branco condensado cortou o céu, indo em direção a Gabriel.
— Aetherflare. — Gabriel respondeu ao ataque de Riven.
O corte de Éter concentrado rasgou o ar, colidindo com o raio em uma explosão ofuscante. O
impacto engoliu o campo de batalha, e quando o brilho cessou, apenas Gabriel permanecia,
avançando através do calor, Riven desviou, mas Gabriel já estava acima dele.
— Radiant Ascensus!
Um golpe vertical caiu como o peso de uma estrela. O impacto derreteu o chão, abrindo
uma cratera incandescente. O vapor subiu, e Riven se ergueu no meio da névoa, o corpo
marcado por fissuras elétricas, as veias brilhando.
— Você ainda está de pé...? — Murmurou Gabriel, cansado, mas sorrindo. — Então me
mostre, Riven, mostre do que é capaz.
Riven cravou os pés no chão e sumiu. O som explodiu um segundo depois.
— Astra Fulminis! — Riven canalizou junto a eletricidade, aumentando exponencialmente
sua velocidade e tempo de reação, além de cobrir todo seu corpo com plasma
O ar se fragmentou. Relâmpagos dançaram por toda a arena enquanto Riven aparecia atrás
de Gabriel, golpeando-o dezenas de vezes em um único segundo. Cada impacto soava como
o céu se partindo. Gabriel desviava, bloqueava, mas as faíscas o feriam. Sangue escorria pelo
ombro.
— Impressionante... — Murmurou, ainda firme.
— Ainda não acabou! — Rugiu Riven. — Excidium Voltara!
Sua aura tornou-se vermelha e viva, o solo rachando sob seus pés. A energia pulsava como
um coração furioso. Ele avançou, atravessando o campo flamejante, atingindo Gabriel com
um punho envolto em plasma. O impacto ecoou como um trovão, Gabriel recuou, com o
braço tremendo.
— Isso... não vai ser o bastante pra você me vencer Riven. — Gabriel respondeu.
— Então queime comigo! — Retrucou Riven.
Dezesseis satélites surgiram em torno dele, girando em velocidade insana.
— Corona Plasmae!
As esferas se fundiram em uma auréola flamejante que disparavam em direção a Gabriel, e
Riven se lançou em direção a ele, o ar queimava. Fragmentos de Éter derretiam o solo,
criando um mar de plasma fervente. Gabriel o observou. E sorriu, calmo e sereno.
— Esse é o seu limite, Riven...
— NÃO! — A Flecha Versátil vibrou com ele.
Riven apontou o braço em direção a Gabriel, e por um instante tudo ficou em silêncio.
— FULMEN ULTIMA!
Um clarão branco atravessou os céus. O som desapareceu, toda Aethernys se calou
enquanto a explosão engolia a arena.
— Merda! — Mary gritou ao ver sua barreira se despedaçar novamente, Lilith, ao seu lado,
ergueu outra às pressas, protegendo os espectadores.
Quando o brilho diminuiu, Riven estava de joelhos, ofegante, o corpo coberto por ranhuras
de Éter e Thyr devido ao Excidium, e diante dele, Gabriel ainda estava de pé. O sol chegando
ao seu ápice, meio-dia.
— O... Sol... — Murmurou Riven
Gabriel ergueu lentamente o rosto, com um leve sorriso.