Volume 1 – Capítulo 1: O Despertar na Toca dos Coelhos
[PARTE 1: A NARRAÇÃO ANTES DO MANGÁ]
(Nota de produção: Esta parte inicial é puramente narrativa, sem balões de diálogo. Uma tela escura com textos flutuantes, mostrando quadros estáticos que ilustram o passado fracassado do protagonista antes de ele perder a memória.)
Narração (Borë):
"Antes do mangá começar de verdade... e antes que eu acabe perdendo totalmente a minha memória... eu preciso contar a história da minha vida passada. Só para vocês entenderem o tamanho do meu fracasso."
Narração (Borë):
"Para começo de conversa, eu já vou mandando a real: eu fui até o sexto ano da escola e simplesmente desisti. Olhei para a cara do professor de matemática e pensei: 'Nem ferrando, tô fora'. Mas ó, não me julguem, eu dei um jeito de ter dois empregos na vida!"
Narração (Borë):
"O primeiro foi em um telemarketing. Durou muito? Bom, eu pedi demissão logo no dia seguinte porque aguentar gente gritando no meu ouvido por salário mínimo não era minha vibe. O segundo emprego, que consegui logo depois de chutar o telemarketing, foi o de Streamer. Eu achei que ia virar o novo astro da internet, mas ganhei uma onda bizarra de hate. Tudo porque eu disse em live que nunca, sob hipótese alguma, mostraria o meu rosto. A internet me cancelou com força, e eu desisti de novo. Fazer o quê?"
Narração (Borë):
"Após esse duplo fracasso, decidi que meu verdadeiro chamado era ser um Otaku profissional em tempo integral. Só que a minha irmã não gostou nada disso. Ela berrou na minha cara dizendo que 'coisa de otaku é coisa de nerd fedido', pegou todos os meus mangás e jogou direto na privada. Para fechar com chave de ouro, ela me chutou de casa. Disse que não queria um monte de lixo nerd ocupando espaço na sala dela."
Narração (Borë):
"Como eu não tinha mais currículo nem teto, acabei saindo andando pelas ruas, no puro estilo mendigo. E como eu morri? Ah, essa é a melhor parte... eu simplesmente esqueci que não se pode ficar deitado de barriga para cima no meio de uma tempestade de raios. Um relâmpago me acertou em cheio no meio da fuça."
Narração (Borë):
"Sinceramente? Pensando bem agora... eu deveria ter continuado na escola em vez de ser um idiota... Enfim, essa é a minha história trágica e ridiculamente estúpida. Aproveitem a narração a partir de agora, porque o 'eu' que vocês vão ver daqui para frente está com a memória mais limpa que lousa de escola."
[PARTE 2: O DESPERTAR]
(O mangá começa visualmente agora. A tela escura dá lugar a traços suaves e detalhados.)
O protagonista abre os olhos devagar. Ele demonstra uma expressão extremamente calma, serena e descontraída, do tipo "gente boa" que não se estressa com nada. Através do reflexo de uma poça d'água próxima, vemos que ele tem cabelos marrons bagunçados e uma íris amarela muito marcante.
Borë (pensamento):
"Uh... que ressaca é essa? Espera... onde diabos eu tô?"
Ele tenta se mover e sente algo peludo, gigante e quente ao seu lado. Ao olhar para trás, ele toma um susto e quase cai de costas. É uma Coelha marrom gigante com orelhas caídas, dormindo e roncando profundamente ao lado dele.
Borë (pensamento):
"Caraca! Que tipo de mutação genética é essa?! Um pokémon?!"
Ao olhar ao redor, o garoto fica de queixo caído. Ele está em uma toca, mas não um buraco comum na terra. É uma toca tão gigantesca que parece uma civilização inteira de coelhos. Olhando para baixo dos túneis, dá para ver pequenas estruturas de madeira que lembram mercados, mini casas e ruelas, tudo em escala gigante para humanos, mas perfeito para os animais dali.
Borë (pensamento):
"Beleza... fui sequestrado por coelhos gigantes medievais. Normal. Super normal."
Ele desvia o olhar para o lado e, deitada no mesmo ninho de palha, está outra bebê. Uma bebê feminina, que também tem cabelos marrons e exatamente a mesma íris amarela brilhante que ele.
Borë (pensamento):
"Olha só... pelo menos eu não tô sozinho nessa loucura. Parece que eu dei sorte e ganhei uma irmãzinha fofa."
[PARTE 3: A CONEXÃO COMPARTILHADA]
O bebê consegue, com muito esforço e tremendo as pernas, usar suas forças para se levantar.
Borë (pensamento):
"Vamos lá, perninhas de gelatina... Pelo menos eu consigo engatinhar. Já é um avanço."
Ele vai engatinhando devagar, fazendo sons de bebê ("bubu-baba"), até chegar perto da garotinha. De repente, um estalo bizarro surge na mente dele. Algo puramente instintivo, como se ele soubesse exatamente o que fazer, mesmo sem entender o motivo.
Borë (pensamento):
"Espera... meu cérebro tá me dizendo para fazer uma parada. Tive uma ideia... É só dar um jeito de desenhar essas letras esquisitas."
Mesmo sem saber o significado real daquela língua ou o porquê de conhecer aqueles símbolos mágicos, o bebê usa o dedinho gordinho para desenhar uma marca na própria barriga. Ele traça os caracteres 集合意識 (Mente Coletiva) perfeitamente centralizados dentro de um pequeno círculo.
Ele fecha os olhos e mentaliza os símbolos corretamente. No mesmo instante, a marca na barriga começa a brilhar intensamente com uma energia mágica dourada e pura.
Borë (pensamento):
"Uau! Que maneiro! Estou genuinamente surpreso... nem eu sabia que tinha tanta afinidade com esse tipo de macumba mágica."
Nesse momento, a bebê ao lado — que mantém um semblante muito calmo, doce e sereno — começa a se mexer. Ela pisca os olhos amarelos, olha para o teto de terra da toca e solta um bocejo.
Tatipen (pensamento):
"Hum... que lugar estranho... onde é que eu estou?"
Borë (pensamento, respondendo instantaneamente na mente dela):
"Olha, eu acabei de me fazer essa mesma pergunta, parceira."
O garoto toma um susto com o eco da própria mente e quase perde o equilíbrio.
Borë (pensamento):
"Epa, espera aí! Como é que eu consigo ouvir os pensamentos dessa bebê se ela nem sequer abriu a boca?! Eu virei vidente?!"
A bebê se vira devagar para ele. Ela continua com a boca fechada, mas sua voz ecoa de forma cristalina, doce e um pouco curiosa diretamente na mente dele.
Tatipen (pensamento):
— Ei... você consegue me ouvir aí dentro da sua cabeça?
Borë (pensamento):
— Sim! Alto e claro! Isso é muito bizarro, mas sim!
Tatipen (pensamento):
— Que esquisito... Mas me diz, aonde é que nós estamos? Minhas costas estão doendo nessa palha.
Borë (pensamento):
— Basicamente, a gente tá no meio de uma toca de coelhos gigante. E quando eu digo gigante, é nível Godzilla.
O garoto dá um sorriso banguela e amigável na direção dela.
Borë (pensamento):
— Enfim, é um prazer conhecer você, vizinha de berço. Eu tentaria me apresentar com classe... mas ferrou, já que eu não faço a menor ideia de quem eu sou. Minha mente tá um completo vazio.
A bebê o encara de volta com doçura, pende a cabeça para o lado e pensa por alguns segundos, avaliando o irmão.
Tatipen (pensamento):
— Hum... entendi. Você está sem nome. Então, você aceita o nome que eu escolher para você?
Borë (pensamento):
— Manda bala. Se for melhor do que 'bebê sem memória', eu topo.
Tatipen (pensamento):
— A partir de hoje, você se chamará Borë. Soa forte, não acha?
O garoto abre um grande sorriso, genuinamente feliz com o som do nome.
Borë (pensamento):
— Borë... Gostei! Tem estilo. Então, para sermos justos, eu vou chamar você de Tatipen. O que acha?
Ao ouvir o nome, a pequena Tatipen abre um sorriso radiante e começa a bater palmas batendo os pezinhos de alegria.
Tatipen (pensamento):
— Tatipen! Eu adorei! Soa super fofo!
Borë engatinha mais um pouco para perto e coloca a sua mãozinha de bebê em cima da cabeça de Tatipen, como um irmão mais velho protetor. A marca em sua barriga brilha de forma tênue, selando um laço invisível entre as duas almas.
Borë (pensamento):
— Fechado então. A partir de agora, nós vamos ter um vínculo inquebrável entre a gente. Ninguém mexe com a gente.
Tatipen (pensamento, piscando os olhos, confusa):
— Mas... Borë, a gente acabou de se conhecer faz tipo... dois minutos.
Borë (pensamento, rindo internamente):
— Eu sei, eu sei. Mas nós ainda temos muito tempo para construir esse vínculo de verdade. Afinal, olha para a gente, ainda somos só dois bebês cabeçudos. Não temos mais nada para fazer mesmo.
Tatipen (pensamento, sorrindo docemente de volta):
— É... você tem razão. Está bem, Borë.
Borë (pensamento):
"Cara, ela é tão gentil e calma... Dei sorte com essa irmã."
[PARTE 4: A FOME E O ABANDONO]
GURRRR~
Um som alto e monstruoso ecoa pelo ninho, quebrando totalmente o clima fofo dos dois. A barriga dos dois bebês ronca exatamente ao mesmo tempo.
Tatipen (pensamento, mudando a expressão para um desespero dramático):
— Ai não... Borë, estou com muita fome! Sinto que vou murchar!
Borë (pensamento, segurando a barriga):
— Nem me fale, parece que tem um gremlin mastigando meu estômago por dentro.
Borë (pensamento):
— A gente tem que achar algo para comer urgente, ou vamos virar estampa de saudade nessa toca.
Os dois olham para o lado no mesmo segundo, com os olhos fixos no mesmo alvo. A enorme Coelha marrom está deitada de lado, com a barriga visivelmente cheia de leite transbordando. Os dois bebês se entreolham com um olhar de pura determinação e instinto de sobrevivência.
Borë e Tatipen (pensamento conjunto):
— É... vai ter que ser o que tem para hoje!
(Corte de cena rápido)
Mostra os dois bebês caídos de costas no chão, completamente nocauteados pelo sono da digestão, com as barriguinhas redondas, estufadas e cheias, soltando pequenos suspiros de satisfação.
Logo em seguida, a Coelha gigante acorda com um estalo. Ela se levanta pesadamente, limpa os bigodes, olha de relance com um olhar triste e melancólico para os dois bebês e caminha em direção a um dos túneis escuros da toca. Sem fazer barulho, ela entra no túnel e some completamente na escuridão, abandonando o ninho.
Borë abre um dos olhos. Ele não estava realmente dormindo, estava apenas descansando a mente preguiçosa. Logo ao lado, Tatipen também abre os olhos amarelos, piscando em alerta.
Borë (pensamento):
— Ei, Tatipen... Para onde será que foi parar a coelha que deu o mamá para a gente?
Tatipen (pensamento, olhando ao redor com uma seriedade que não parece de um bebê):
— Eu também notei... O coelho sumiu do nada. O ninho está esfriando.
Borë (pensamento, tentando manter a pose de calmo para não assustar a irmã):
— Relaxa, ela só deve ter saído para dar uma voltinha ou pegar alguma fruta para a gente comer mais tarde. Coelhos fazem isso, né? Já já ela tá de volta com o almoço.
(Transição de tempo: O painel mostra as sombras mudando na toca, indicando que horas se passaram. O frio começa a apertar.)
Os dois bebês acordam após um longo cochilo forçado. A toca está num silêncio mortal e assustador.
Borë (pensamento, com uma gota de suor na testa):
— É... o coelho definitivamente não voltou. Fomos oficialmente abandonados.
Tatipen (pensamento, com um olhar afiado e uma determinação bizarra, onde a energia da sua Alma Pós-Morte brilha por um milésimo de segundo nos olhos):
— Borë, chega de esperar. Nós temos que fazer alguma coisa. Ficar parado aqui é pedir para morrer.
Borë (pensamento, olhando para o próprio corpo gordinho):
— E você quer que a gente faça o quê? A gente mal consegue ficar de pé, Tatipen! Eu pergunto a você: qual é o plano?
Tatipen (pensamento, com um sorriso de canto misterioso):
— Eu tenho um plano perfeito. Mas para ele funcionar sem a gente virar janta de algum predador, nós precisamos crescer primeiro. Só precisamos aguentar firme até ter uns 2 ou 3 anos de idade.
Tatipen olha fixamente nos olhos de Borë, transmitindo uma autoridade e uma força que deixam o garoto impressionado.
Tatipen (pensamento):
— Só confia em mim, irmão. Eu sei o que estou fazendo.
Borë olha para ela por alguns segundos, solta um longo e pesado suspiro mental, mas relaxa os ombros e sorri.
Borë (pensamento):
— Fazer o quê, né? Você manda, chefe. É bem melhor eu confiar em você do que morrer de frio aqui. Vamos nessa.
[PARTE 5: O LADO DE FORA]
A cena muda drasticamente de cenário e de tom, ficando muito mais tensa. Corta para o lado de fora da toca.
O cenário é completamente dominado por uma nevasca implacável e violenta. O vento uiva como um monstro e a neve cai pesada, cobrindo as montanhas e congelando tudo. No meio daquela imensidão branca e hostil, a Coelha marrom está correndo desesperadamente, respirando fundo e deixando pegadas profundas que a neve apaga logo em seguida.
De repente, a coelha trava abruptamente, os olhos arregalados de pavor.
À frente dela, bloqueando completamente o único caminho utilizável no meio da nevasca, surge a silhueta de um homem de aproximadamente 1,70m de altura. O vento gélido bate com força em sua capa escura, mas sua postura permanece perfeitamente estática, emanando uma aura fria, calculista e intimidadora.
Ele abaixa levemente a cabeça, revelando um olhar congelante direcionado ao animal.
Homem da Silhueta:
— Por quanto tempo você pretendia fugir daquilo que escolheu, criatura?
A voz do homem é absurdamente desprovida de qualquer emoção, cortando o som do vento como uma lâmina. A coelha começa a tremer violentamente.
Homem da Silhueta:
— Você sabe muito bem o que eu irei fazer com aqueles dois bastardos... assim que eles amadurecerem o suficiente. Eles não podem se esconder de mim.
A Coelha marrom fica completamente paralisada pelo medo puro, abaixando as orelhas e olhando fixamente para os pés do homem na neve, sem ter um pingo de coragem para erguer a cabeça ou tentar fugir.
A nevasca aperta de forma avassaladora, criando uma cortina branca de vento e gelo que encobre completamente a visão do leitor, fazendo tanto o homem misterioso quanto a coelha sumirem no meio do inverno rigoroso.
(Fim do 1 capítulo)