Capítulo 56 — Pressão
O campo já não tinha mais forma.
O que antes era uma linha de frente agora era um amontoado de batalhas individuais, explosões isoladas, encontros que nasciam e morriam em segundos. Não existia mais organização — só sobrevivência.
E, no meio disso…
A pressão começou a aumentar.
Ren e Aoi
O choque entre os dois já não era mais teste.
Era confronto.
O sangue que orbitava Ren pulsava com mais intensidade a cada movimento, reagindo não só aos golpes… mas à intenção. Era como se o próprio corpo dele tivesse ultrapassado o limite entre controle e instinto.
Aoi girou a katana, o brilho lunar se expandindo pela lâmina enquanto ela avançava em um arco baixo, tentando cortar o eixo de movimento dele.
Ren não bloqueou.
Ele deixou o golpe passar… e avançou junto.
O corte pegou de raspão no lado do corpo dele.
Mas ele não recuou.
A mão livre agarrou o pulso de Aoi no mesmo instante.
O sangue reagiu.
Se condensou.
E avançou como lâmina viva.
Aoi puxou o braço no limite, escapando por centímetros — mas o corte veio no lugar do erro, abrindo sua lateral.
Ela girou para longe, aterrissando com dificuldade.
Respiração descompassada.
— Você nem tenta se defender mais… — ela disse, firme, mesmo ofegante — Só… avança.
Ren limpou o sangue do próprio rosto com o dorso da mão.
— Defesa é pra quem quer sobreviver.
Ele deu um passo.
O chão rachou sob o peso.
— Eu só quero vencer.
E sumiu de novo.
Takemura e Kaien
O impacto de calor veio antes do som.
Takemura girou o corpo no último segundo, sentindo o ar queimar onde sua cabeça estava um instante antes. O soco de Kaien atravessou o espaço com uma explosão curta de fogo comprimido.
Takemura deslizou para trás.
Os olhos varreram o chão por um instante.
A lança.
Caída alguns metros atrás, parcialmente enterrada entre escombros e sangue.
Ele não pensou.
Seu corpo girou, desviando de um corte horizontal que vinha de um soldado de Vorthal. A mão livre agarrou o braço do inimigo, usando o próprio impulso dele para lançá-lo contra outro que avançava.
E então—
Um passo.
Um avanço.
A mão fechou no cabo da lança.
No mesmo movimento, ele girou o corpo inteiro.
A ponta da arma cortou o ar em um arco limpo, forçando Kaien a recuar pela primeira vez.
Silêncio de meio segundo.
Takemura ajustou a postura.
A lança agora firme em suas mãos.
Equilibrada.
Natural.
— Agora ficou melhor… — ele murmurou.
Kaien sorriu.
A katana dele deslizou da lateral do corpo, finalmente livre, a lâmina refletindo o fogo que já começava a envolver seu braço.
— Eu tava esperando isso.
E então os dois avançaram.
Técnica contra intensidade
Kaien atacou primeiro.
A katana desceu em um corte vertical envolto em chamas densas, pesadas, como se o próprio ar estivesse sendo comprimido junto com o golpe.
Takemura girou a lança.
O impacto veio.
Metal contra metal.
Fogo contra precisão.
Ele desviou o golpe lateralmente, não bloqueando — redirecionando.
A ponta da lança veio logo depois.
Direta.
Rápida.
Kaien inclinou o corpo, sentindo o vento do ataque passar pelo rosto.
Respondeu girando a katana em um corte ascendente.
Takemura saltou para trás.
Mas não parou.
A lança voltou.
Girando.
Atacando.
Recuando.
Avançando.
Mesmo cercado por outros soldados que tentavam interferir, ele não perdia o ritmo.
Um caiu.
Outro recuou.
Mas Kaien continuava.
Sempre voltando.
Sempre pressionando.
E o fogo…
Só aumentava.
Lysera
O mundo ao redor dela já não fazia mais sentido.
Os golpes vinham de todos os lados.
Um soldado de Vorthal avançou.
Ela bloqueou.
Contra-atacou.
Mas antes que finalizasse—
Outro golpe.
Por trás.
Ela girou no limite.
A lâmina de um soldado de Aetheryon passou a centímetros do pescoço dela.
Os olhos dos dois se encontraram.
Sem hesitação.
Sem dúvida.
— Traidora.
Ela não respondeu.
Só atacou.
O Kai dela se expandiu, lâminas de energia surgindo ao redor do corpo como fragmentos giratórios, cortando tudo que se aproximava.
Ela não estava mais lutando por vitória.
Estava lutando…
Porque parar significava morrer.
Shizuna
O campo congelou de novo.
Mas dessa vez… mais intenso.
A katana dela estava fincada no chão alguns metros atrás — esquecida no meio do caos inicial.
Ela estendeu a mão.
O gelo respondeu.
O chão rachou.
Uma trilha cristalina avançou até a arma.
E, como se fosse puxada por fios invisíveis, a lâmina deslizou até sua mão.
Ela a ergueu lentamente.
O ar ao redor mudou.
— Chega de brincadeira…
O frio se intensificou.
E então ela avançou.
Cada passo criando estruturas de gelo sob seus pés, sustentando movimentos impossíveis.
Ataques precisos.
Mortais.
Sem desperdício.
Zareth
A pressão aumentou.
Literalmente.
O ar ao redor dele vibrava.
Cada movimento de Zareth parecia deslocar o espaço.
Ele não usava arma.
Não precisava.
Um soldado tentou atravessar sua guarda.
Zareth apenas avançou.
O impacto foi invisível.
Mas o corpo do inimigo foi lançado para trás como se tivesse sido atingido por uma parede.
Outro veio.
O mesmo resultado.
Ele continuou andando.
Yang
O riso dele ecoava mesmo no meio do caos.
Cada movimento era exagerado.
Pesado.
Violento.
Mas controlado.
Um soco.
Três soldados caíram.
Um giro.
Outro grupo foi lançado para longe.
Ele não parecia cansar.
Não parecia se preocupar.
Era como se…
Aquilo fosse diversão.
— Vocês chamam isso de guerra?
Ele avançou mais uma vez.
E esmagou outro grupo.
A Torre
Eryndor ainda observava.
Mas agora…
Seus olhos não estavam mais apenas analisando.
Eles estavam mais estreitos.
Mais tensos.
Yang no campo.
Zareth avançando.
Shizuna ativa.
Ren… mudando.
E Lysera—
Viva.
Ainda.
Depois de tudo.
O silêncio dentro dele durou alguns segundos.
Então—
Ele se moveu.
Queda
O vento rasgou o ar.
Uma presença desceu.
Não foi sutil.
Não foi lenta.
Foi direta.
Eryndor caiu no campo como um relâmpago contido.
O impacto abriu uma cratera leve ao redor.
O silêncio durou um segundo.
Só um.
Então ele se moveu.
Eryndor em campo
O primeiro soldado de Vorthal nem viu.
Só caiu.
O segundo tentou reagir.
Tarde.
A lâmina passou.
Limpa.
Sem esforço.
Sem emoção.
Ele avançou.
Rápido.
Preciso.
Letal.
Cada movimento era econômico.
Sem desperdício.
Sem espetáculo.
Só morte eficiente.
Ele parou.
Por um instante.
E olhou.
Lysera.
Os olhos se encontraram.
Ela travou.
Só por um segundo.
Mas foi o suficiente.
O olhar dele não mudou.
Frio.
Vazio.
— Você escolheu.
Foi só isso.
E então ele seguiu em frente.
De volta — Ren e Aoi
Aoi já estava sendo pressionada.
O sangue ao redor de Ren estava mais agressivo.
Mais rápido.
Mais instável.
Ela tentou recuar.
Ele não deixou.
A distância entre os dois desapareceu.
O golpe veio.
Ela bloqueou.
Mas o impacto…
Passou.
O corpo dela foi jogado para trás, deslizando pelo chão.
Ela se levantou no limite.
O olhar firme.
Mas o corpo…
Já começando a falhar.
Ren caminhou.
Devagar.
O sangue ainda flutuando ao redor.
Os olhos fixos nela.
Sem hesitação.
Sem dúvida.
Sem nada.
— Você vai continuar fugindo?
Aoi apertou a katana.
O brilho lunar voltou a crescer.
Mais forte.
Mais intenso.
Ela avançou.
Mesmo assim.
E dessa vez…
Sem recuar.