Capítulo 57 — O Golpe
O campo de batalha já não gritava.
Ele rugia.
Cada impacto fazia o chão vibrar, cada explosão rasgava o ar, cada corpo caindo parecia alimentar ainda mais o caos. O que antes era uma guerra agora era algo mais próximo de um colapso — físico, mental… e inevitável.
E no meio disso—
As lutas começaram a atingir seus limites.
Takemura
O som da lâmina de Kaien cortando o ar veio antes do impacto.
Takemura girou a lança no último segundo, desviando o golpe por um ângulo mínimo — mas o calor da katana ainda passou, queimando parte do seu ombro. A pele se abriu, escurecida, e o cheiro de carne queimada se misturou ao ar pesado.
Ele não recuou.
Avançou.
A lança descreveu um arco baixo, mirando as pernas de Kaien.
Kaien saltou.
Mas Takemura já estava lá.
A ponta da lança subiu em um movimento contínuo, direto ao torso.
Kaien girou o corpo no ar, desviando por centímetros — mas perdeu o equilíbrio ao aterrissar.
Takemura não deu espaço.
Avançou novamente.
A lança golpeava, recuava, voltava — cada movimento preciso, calculado, limpo. Mesmo cercado por outros soldados que tentavam interferir, ele mantinha o ritmo. Um deles tentou avançar pelas costas.
Sem olhar—
Takemura girou o corpo.
A base da lança acertou o rosto do inimigo com força seca.
O corpo caiu.
Outro veio.
Um corte rápido.
Mais um corpo no chão.
E ainda assim…
Kaien voltou.
Sempre voltava.
A katana dele agora carregava ainda mais calor, o fogo envolvendo a lâmina de forma mais intensa, mais comprimida.
— Você é teimoso… — Kaien disse, avançando de novo — Eu gosto disso.
O choque veio pesado.
Lança contra katana.
Força contra técnica.
Dessa vez, Kaien não recuou.
Empurrou.
O fogo se expandiu.
Takemura travou.
O corpo… começando a falhar.
A pressão aumenta
Kaien mudou o ritmo.
Mais agressivo.
Mais direto.
A katana desceu em sequência — cortes rápidos, pesados, difíceis de acompanhar. Takemura bloqueava o que podia, desviava o que conseguia… mas não era suficiente.
Um golpe passou.
Cortou o lado do corpo.
Outro veio.
Pegou o braço.
O terceiro—
Não deu tempo.
A lâmina atravessou.
Profunda.
Do ombro até o peito.
Takemura travou.
O mundo pareceu desacelerar por um instante.
O sangue escorreu quente.
O corpo vacilou.
A lança quase caiu.
Mas ele não caiu.
Ainda não.
Ele puxou a lança de volta… e avançou de novo.
Mesmo assim.
Mesmo ferido.
Mesmo claramente no limite.
Kaien sorri
— Agora sim… — Kaien murmurou, girando a katana — Agora você tá lutando de verdade.
E avançou outra vez.
Lysera
Ela não conseguia mais distinguir quem vinha primeiro.
Só reagia.
Um ataque.
Outro.
Outro.
Ela desviava, cortava, recuava, avançava — tudo no reflexo, no limite do corpo. Um soldado de Vorthal caiu com um corte limpo no peito.
Mas antes que pudesse recuperar—
Um golpe veio da esquerda.
Aetheryon.
Ela bloqueou.
O impacto fez o braço tremer.
— Traidora!
Ela não respondeu.
Só empurrou.
E contra-atacou.
O corte foi rápido.
Mas não letal.
Ela não estava conseguindo finalizar.
O corpo já não respondia com a mesma precisão.
Ela recuou um passo.
Respiração falhando.
Os olhos percorreram o campo.
Sem saída.
Sem lado.
Só guerra.
Ela apertou a espada com mais força.
E voltou.
Yang
O impacto dele era impossível de ignorar.
Cada movimento fazia o chão ceder.
Cada golpe afastava múltiplos inimigos.
Ele avançava rindo, como se aquilo tudo fosse apenas um treino mais intenso.
— É só isso?!
Ele girou o corpo.
Um soco.
Três soldados foram lançados ao ar.
Outro passo.
Outro impacto.
Mas então—
Algo mudou.
Zareth
Zareth avançou.
Direto.
Sem desviar.
Sem recuar.
O choque foi imediato.
Yang bloqueou o primeiro golpe com o braço.
O impacto fez o chão afundar.
Mas Zareth não parou.
Girou o corpo e respondeu com outro ataque, dessa vez mais pesado, carregado de pressão.
Yang foi empurrado meio passo para trás.
O sorriso dele aumentou.
— Agora ficou interessante.
O contra-ataque
Yang desapareceu.
E reapareceu.
O soco veio de baixo para cima.
Zareth tentou bloquear—
Mas não foi o suficiente.
O impacto atravessou a defesa.
O corpo dele foi lançado com força absurda… direto contra outra direção do campo.
Shizuna
Ela viu.
No último segundo.
O corpo de Zareth vindo na direção dela.
Pesado.
Descontrolado.
Ela não tentou segurar.
Desviou.
No limite.
O impacto dele com o chão abriu uma nova cratera, fragmentos de gelo e pedra voando ao redor.
Shizuna girou o corpo imediatamente.
Já se movendo.
Já reagindo.
— Levanta.
A voz dela foi firme.
Sem emoção.
Mas rápida.
Zareth se ergueu com dificuldade, cuspindo sangue.
Mas sorriu.
— Ele é bom…
Shizuna não respondeu.
Só avançou.
E dessa vez…
Não estava sozinha.
Yang, Zareth e Shizuna.
Yang observou.
Os dois agora à frente dele.
E soltou um riso curto.
— Ah… então é assim?
Ele abriu os braços levemente.
— Venham.
E os dois avançaram.
Ao mesmo tempo.
Eryndor
Mais distante—
Eryndor observava.
Agora no campo.
Agora dentro da guerra.
Mas ainda…
Parado.
Os olhos analisando tudo.
O silêncio dentro dele não era dúvida.
Era cálculo.
Mas pela primeira vez—
Algo ali…
Pesava.
Ren e Aoi
O choque entre os dois continuava.
Sem pausa.
Sem espaço.
Aoi avançou em sequência.
Três cortes.
Quatro.
Cinco.
O brilho lunar da katana dela deixava rastros no ar, cada golpe mais rápido, mais preciso, mais direto.
Ren desviava.
Bloqueava.
Respondia.
Os dois estavam no limite.
Mas nenhum recuava.
Ela mudou o ritmo.
Fingiu um ataque alto—
E entrou por baixo.
A lâmina passou.
Raspou.
Mas não foi suficiente.
Ren respondeu imediatamente.
O golpe veio pesado.
Ela bloqueou.
Mas o impacto fez o braço tremer.
Ela recuou.
Um passo.
Dois.
A respiração falhando.
O corpo… lento.
Ren avançou.
Sem parar.
Sem dar espaço.
E então—
Aoi fez algo diferente.
Ela não recuou dessa vez.
Ela esperou.
O momento
Ren avançou.
Direto.
Sem desvio.
Sem cautela.
Como sempre.
Aoi respirou fundo.
Os olhos focados.
Totalmente.
Ela deixou.
Deixou ele entrar.
Deixou ele se aproximar.
Mais.
Mais.
Mais—
Agora.
A lâmina dela avançou.
Direta.
Sem hesitação.
Sem erro.
A katana atravessou o peito de Ren.
Limpa.
Profunda.
O som foi seco.
O impacto parou tudo.
O corpo dele travou.
Os olhos… ainda abertos.
A lâmina estava ali.
Atravessando.
Aoi ofegou.
As mãos tremendo.
Mas não soltou.
O mundo ao redor pareceu diminuir.
O som da guerra… distante.
Lento.
Quase inexistente.
Ela olhou para ele.
De perto.
Muito perto.
— …Acabou.
Foi baixo.
Quase um sussurro.
O corpo de Ren não se moveu.
Não reagiu.
Não respondeu.
Só… ficou.
Parado.
Com a lâmina atravessando o peito.
E então—
Silêncio.