Capítulo 62 — Aquele que Está Acima de Todos
O impacto ainda ecoava.
O corpo de Zareth… caiu.
Sem força.
Sem reação.
O chão rachou sob o peso morto de seu corpo, o sangue se espalhando lentamente ao redor dele.
Silêncio.
Por um segundo… apenas um segundo…
A guerra pareceu parar.
Shizuna arregalou os olhos.
— …Zareth…?
Sua voz falhou.
Seu corpo tentou se mover… mas não respondeu. Seus músculos tremiam, seus ossos quebrados gritavam a cada tentativa.
— ZARETH!
Nenhuma resposta.
Apenas o som do vento passando pelos destroços.
Yang observava.
Imóvel.
Seus olhos analisavam o corpo caído, o sangue, a posição… o silêncio.
E então…
Um leve sorriso surgiu.
— …foi um ato digno.
Sua voz era calma.
Quase respeitosa.
Mas fria.
— Um verdadeiro guerreiro.
Ele deu um passo à frente.
— Mas… é só isso.
Outro passo.
A pressão no ar aumentou.
— Agora acabou.
Shizuna tentou se arrastar para trás.
Sem força.
Sem tempo.
Yang caminhava lentamente em sua direção, a energia azul começando a se formar novamente em sua mão.
Mais densa.
Mais pesada.
Mais mortal.
—
Do outro lado…
Ren parou.
A voz dela ainda ecoava em sua mente.
“…eu ainda vou lutar contra você…”
Por um instante… seus olhos hesitaram.
Mas então—
Ele fechou a mão.
Com força.
Se virou completamente.
E começou a caminhar.
Lento.
Direto.
Na direção dela.
— …fica quieta…
Sua voz saiu baixa.
Fria.
— …eu vou acabar logo com isso.
Cada passo… pesado.
O chão afundando levemente sob seus pés.
Aoi tentou se mover.
Seu corpo falhou.
Mas seus olhos…
Não desviaram.
—
No centro do campo…
A luz explodiu.
Takemura surgiu acima de Kaien.
Mas dessa vez… não foi velocidade.
Foi domínio.
Luz pura envolvia seu corpo, se expandindo como asas quebradas, instáveis, violentas. Seu corpo já não suportava mais aquilo — rachaduras de luz percorriam sua pele, como se ele fosse se partir a qualquer momento.
Mas seu olhar…
Estava sereno.
— …acabou, garoto…
Kaien tentou reagir.
Levantou a katana.
Chamas subiram—
Mas foram rasgadas.
Takemura desapareceu.
E reapareceu à frente.
Sua perna envolta em luz absoluta.
Não havia som.
Apenas o instante.
E então—
BOOOOOOM
O impacto atravessou Kaien.
Não foi um golpe.
Foi uma execução.
O corpo de Kaien foi lançado como um projétil, atravessando destroços, quebrando estruturas, sendo arrastado por metros… até parar, completamente destruído, o chão afundando sob ele.
Silêncio.
Seu corpo não se movia.
A katana havia sido arremessada para longe.
Seu peito… mal subia.
Takemura pousou.
Seu corpo tremia violentamente.
A luz ainda vazava.
Mas mais instável.
Mais descontrolada.
Mais… próxima do fim.
—
Mais ao longe…
Lysera caiu.
O impacto contra o chão tirou o ar de seus pulmões.
Antes que pudesse reagir—
Eryndor já estava ali.
Um raio cortou o campo em milésimos.
Ele apareceu diante dela.
Sem esforço.
Sem pressa.
— …vai se arrepender…
Ele segurou a lâmina.
A energia elétrica percorreu a espada, crepitando, rasgando o ar.
— …de defender um traidor.
Lysera tentou se mover.
Seu corpo não respondeu.
A espada desceu.
—
E então…
O mundo… parou.
Não foi um som.
Foi uma presença.
Um impacto invisível.
Como um coração gigante batendo em algum lugar… distante… e ao mesmo tempo… em todos os lugares.
THUM.
Ren foi lançado para trás.
Yang… também.
Eryndor… arremessado como se fosse nada.
Takemura… recuou.
Soldados… caíram.
O ar ficou pesado.
Irrespirável.
Silêncio absoluto.
Ninguém entendia.
Ninguém se movia.
E então…
Alguém olhou para cima.
Outro.
E outro.
E outro.
Todos.
No céu…
Ele estava lá.
Parado.
Flutuando.
Um manto negro balançando lentamente, marcado com símbolos antigos de Vorthal. A presença dele distorcia o próprio ar ao redor.
Não havia esforço.
Não havia tensão.
Apenas… existência.
Yang ergueu o olhar.
E então…
Sorriu.
— …você veio…
O homem no céu não respondeu.
Mas no instante seguinte—
Ele desapareceu.
E apareceu no chão.
Sem som.
Sem movimento perceptível.
Simplesmente… estava lá.
Entre os mortos.
Entre os vivos.
Entre a guerra.
Sua mão subiu lentamente.
E então… puxou o capuz.
Cabelos longos e negros caíram sobre seus ombros.
Uma cicatriz atravessava seu rosto.
Seu olhar…
Era vazio.
E ao mesmo tempo… absoluto.
Ninguém falou.
Ninguém se moveu.
Até que—
Zareth… no chão…
Mal consciente…
Sussurrou.
— …mestre…
O silêncio se aprofundou.
Yang deu um passo à frente.
— Então… você finalmente decidiu aparecer.
O homem olhou ao redor.
Corpos.
Sangue.
Destruição.
Shizuna quebrada.
Zareth caído.
Soldados mortos.
E então…
Seus olhos pararam.
Em Aoi.
Quase irreconhecível.
E depois…
Em Ren.
As marcas ainda presentes.
O resquício do ancestral.
Um leve sorriso surgiu.
— …interessante.
Ren franziu o cenho.
Sem entender.
Mas avançou.
Instinto.
Raiva.
Confusão.
Ele correu.
Desferiu um golpe direto.
O homem ergueu a mão.
E segurou.
Simples.
Sem esforço.
A mão de Ren parou.
Como se o mundo tivesse decidido que aquele golpe não existiria.
O homem inclinou levemente a cabeça.
— Um corpo incompleto…
Sua mão subiu.
E agarrou o pescoço de Ren.
Ergueu.
Sem esforço.
— …e ainda assim… tão instável.
Ren tentou reagir.
Seu corpo não respondeu.
A pressão era absurda.
— Você não entende o que carrega.
E então—
Ele soltou.
Ren caiu no chão, sem ar.
Como se tivesse sido descartado.
O homem se virou.
Caminhou.
Até Aoi.
Parou diante dela.
A observou por alguns segundos.
Sem expressão.
E então… se abaixou.
Sua mão tocou levemente o corpo dela.
Uma energia suave surgiu.
Diferente.
Não destrutiva.
Curativa.
As feridas começaram a se fechar lentamente.
Não completamente.
Mas o suficiente.
Para que ela não morresse ali.
Ele se levantou.
E então—
Desapareceu.
E reapareceu no céu.
No mesmo ponto.
Observando todos.
Seu manto balançando.
Seus olhos… dominando o campo inteiro.
Ele abriu os braços.
Lentamente.
— Aetheryon…
Sua voz ecoou.
Não como som.
Mas como presença.
— Vocês confundiram conflito com guerra.
O céu começou a escurecer.
A energia ao redor dele… crescia.
— Eu vou mostrar a diferença.
Raios roxos começaram a surgir.
Cortando o céu.
Descendo.
Girando ao redor dele.
— Conheçam…
Sua voz ficou mais pesada.
Mais profunda.
Mais… inevitável.
— …o verdadeiro peso de Vorthal.
Ele ergueu as mãos.
A energia explodiu.
Uma massa colossal de poder se formou acima dele, girando, comprimindo, destruindo o próprio ar ao redor.
No chão—
Yang ergueu a mão.
Seus olhos brilharam.
— …tch.
Ele estalou os dedos.
Escudos de energia surgiram ao redor dos soldados de Aetheryon.
Pequenos.
Insuficientes.
Mas tudo o que havia.
— Se preparem.
E então—
A explosão desceu.
Luz roxa.
Raios.
Destruição.
O impacto engoliu tudo.
Prédios colapsaram.
O chão foi rasgado.
O ar foi obliterado.
Gritos desapareceram antes mesmo de existir.
Aetheryon…
Desapareceu sob a explosão.