O estudo havia sido bem interessante, no começo Ellie não estava querendo prestar atenção e falava que queria brincar do lado de fora e isso era o normal de uma garotinha de 6 anos, mas depois que Ulisses disse que se ela prestasse atenção ele iria pegar flores com ela, Ellie com certeza começou a prestar atenção e Ulisses ficou bem satisfeito com isso.
Quando a aula acabou por volta da tarde Ellie não pode brincar com seu irmão pois ela precisava ir para sua aula de boas maneiras, Ulisses disse que quando ela terminasse ambos iriam brincar juntos e pegar flores e isso animou a garotinha para poder terminar logo seus afazeres, enquanto a garotinha ia para sua aula com a sua babá, Ulisses achou que poderia andar pela sua nova casa.
Obviamente não era uma nova casa para o verdadeiro Ulisses, mas como agora era Eddie que estava no controle, achou que poderia conhecer mais o lugar. Passando pela janela viu uma empregada com três sextas cheias de roupas e o curioso era que ela estava os carregando com magia e isso fez Ulisses pensar no novo mundo em que estava e quantas coisas havia de diferente de seu mundo original.
No mundo na novel todos sem exceção terão mana, não importa se for um idoso de 90 anos ou um bebê que acabou de nascer, o que era de diferente, era o fato de que a quantidade de mana em seus corpos eram bem diferentes, uns poderiam ter muito e outros poderiam ter pouco. Existia também o fato de que nem todos poderiam fazer com que sua quantidade de mana aumentasse devido às suas famílias, dependendo dos seus pais, os filhos não poderiam evoluir seu fluxo de mana.
No mundo da história "Planos para matar o Imperador", todo tipo de objeto e pessoas usará mana e mesmo sendo um mundo medieval um pouco diferente como nas histórias da terra, o mundo da novel tinha algumas coisas parecidas em alguns quesitos.
— O quanto consigo evoluir começando com 9 anos? — Disse Ulisses olhando para suas mãos — Ah... que complicado.
— Deixe disso, Lisses!
Ulisses rapidamente se virou para ver quem era e então viu sua mãe, ela estava vindo em sua direção e então começou a pensar se tinha dito algo de estranho. Era uma criança de 9 anos e não podia dizer nada que deixasse as outras pessoas pensarem o contrário.
— M-mãe... — ele soltou um sorriso forçado — a quanto tempo está aí?
— Não faz muito tempo, querido — disse Eduina — estava indo ver como anda a preparação para o almoço.
— A-a sim hehe — Quer vir comigo? — perguntou a mulher de longos cabelos pretos azulados — Como vai treinar com seu pai, pensei em uma comida que te desse muita energia.
— Eu quero ir sim.
Pensando um pouco em seu passado, a mãe de Eddie nunca foi uma pessoa muito presente e seu pai havia ido embora antes de nascer e por isso a sua mãe sempre o culpava por isso, dizia com todas as letras que não gostava de seu rosto por ser igual o pai, mas agora poderia dizer que era diferente. Eduina sempre o tratou com carinho e gentileza, apesar de seus planos estar em ir embora para não ter seu caminho cruzado com a protagonista da história, iria fazer o possível para tentar ter um maravilhoso convívio com sua nova família o máximo possível.
Ulisses seguiu sua mãe na direção da cozinha e conforme andavam Eduina parecia bem contente por estar com seu filho, Ulisses via que claramente a mulher estava muito contente e de certa forma ele estava contente também.
— Sabe filho…
— Sim, mãe.
— Estou contente por estar aqui comigo — ela sorriu — até está sendo mais presente em seu relacionamento com sua irmã.
— Não estou entendendo, mãe... — disse Ulisses — o que você quer dizer com isso?
— Não é nada, apenas estou dizendo para que continue sendo gentil. A sensação que teve foi que Eduina estava dizendo para que não começasse a ser um verdadeiro escroto e isso fez Eddie se perguntar como ele poderia ter sido antes de se lembrar do outro mundo. Tudo era tão estranho, os olhares dos empregados, a sua irmã dizendo que ele não passava um tempo com ela e agora sua mãe dizendo para não parar de ser gentil... "Por acaso eu era um bundão?" pensou ele, "eu não estou entendendo mais nada!"
— Confie em mim mãe — ele continuou — eu sempre vou ser gentil e vou te dar muito orgulho!
Eduina olhou para seu filho e então sorriu com suas palavras que confortam o seu coração, pelos olhos de Ulisses ela estava mais do que satisfeita.
— Sabe Lisses... faz duas semanas que você está sendo um garotinho muito bom…
"O que ela quer dizer com isso?" se perguntou em pensamento, "eu sou Ulisses agora, eu acho que estou muito normal".
— Parece até que você é outra pessoa — "eu juro que não sou! Na verdade eu sou sim, mas acredite que não foi porque eu quis!" pensou ele com um rosto agradável — sinceramente acho que você está amadurecendo rápido para um garotinho.
— É-é c-com certeza — disse Ulisses — eu acho que devo ser c-como um adulto.
"Falou a pessoa que tem 35 anos e morava num muquifo de apartamento com um emprego de merda sem nenhuma responsabilidade! Isso soa tão estranho… " pensou ele, não estava acreditando que havia dito isso, para uma criança de 9 anos achava que era o suficiente.
Não demorando muito Eduina e seu filho chegaram na cozinha, Ulisses ficou bem impressionado com o que estava vendo, as empregadas estavam usando magia para fazer a refeição. Quando Eddie havia lido na novela a o trecho "tudo era desculpa para se usar mana, todos os cidadãos adoravam isso e não importava o dever a ser cumprido, era usado mana", imaginou que isso significava que todos adoravam usar mana para conseguir as coisas, mas usar mana para fazer refeições era o auge para Ulisses.
Entrando na cozinha as bancadas estavam cheias de comidas prontas, achou de certa forma até um exagero da parte das empregadas fazer tanta comida para uma família de 3 pessoas. Quando as empregadas viram Eduina e Ulisses entrando na cozinha, logo ficaram surpresas com isso e Ulisses percebeu isso... ainda não havia se acostumado com aqueles olhares cheios de curiosidade, estranhamento e surpresa.
— Olá senhora! — disse uma empregada com um sorriso — O que lhe traz à cozinha?
— Vim ver como estão os preparativos para o almoço — disse a mãe de Ulisses — Lisses diga "oi" para nossas empregadas que fazem a sua refeição.
— Olá a todas — disse Ulisses — A comida que fazem é bem deliciosa.
Todas se entreolharam por alguns segundos e depois de provavelmente ficarem mais surpresas, sorriram e agradeceram as palavras de Ulisses.
— Deixe-me ver o que estão preparando — disse Eduina — devem estar muito boas.
— Pequeno Sr. Urion — uma empregada veio na direção de Ulisses — venha pegar um aperitivo para alegrar o seu dia.
— Por favor…
Ulisses pode ver a empregada engolir o seco e o garoto não entendeu muito bem aquele comportamento.
— Me... chame pelo meu nome — completou Ulisses — é muito mais fácil assim.
A empregada arregalou os olhos e Ulisses percebeu que ela havia relaxado um pouco, ela não parecia mais tensa com aquela situação.
— Sim... é... Sr. Ulisses!
— Onde estão os aperitivos?
— Por aqui.
A empregada levou Ulisses para uma das mesas da cozinha e em uma forma ela pegou alguns biscoitos, colocou em um prato e entregou para Ulisses que ao ver ficou com água na boca. Estava realmente querendo experimentar, pegou um dos biscoitos e ao comer ficou muito impressionado com o sabor doce e simplesmente maravilhoso que experimentou.
— Isso ficou incrível! — disse Ulisses com os olhos brilhantes, naquele momento realmente parecia uma criança — Você é... qual é o seu nome?
— S-Sr. Ulisses quer saber... meu nome?
— Sim.
— Bem, me chame de Briana. Ulisses achou Briana um nome bem bonito, ela não parecia ter mais de 15 anos, ela parecia a empregada mais jovem que havia visto até aquele momento.
— Srta. Briana obrigado pelos biscoitos.
"Por que estou falando como uma criança?" pensou Eddie, não sabia porque estava agindo daquele jeito sem estar no personagem, para Eddie, Ulisses era como um personagem que tinha que fazer a todo momento que estava entre duas ou mais pessoas.
— Obrigada — Briana sorriu — fico feliz que tenha gostado.
— Agora eu posso comer mais um? — Claro! O pequeno tempo que passou na cozinha foi bem divertido, depois de uns 2 minutos conversando com Briana, parecia que as outras empregadas haviam deixado de lado sua desconfiança (mesmo que Ulisses não tivesse entendido muito essa desconfiança), as outras empregadas conversaram com o garoto e eles riram muito com o assunto sobre brócolis.
Depois que Ulisses saiu da cozinha, sua mãe pediu para que ele fosse se preparar para o almoço. Se despedindo da mãe, Ulisses foi se preparar para o almoço e não demorando muito o horário do almoço chegou, o que fez todos da família Urion irem para a sala de jantar. Ulisses que ainda estava um pouco atrasado, estava em seu quarto sentado em sua mesa escrevendo tudo o que se lembrava da novel e por onde a protagonista passava ou em quais lugares ela iria ir antes de se encontrar com Ulisses. Estava buscando no fundo de sua memória cada diálogo e detalhe possível para que em um futuro não passasse por aquele lugar ou se quer pensasse em ir, se lembrava que em um diálogo no capítulo 03, Stella estava contando para Ulisses que o primeiro lugar que foi, para ficar mais forte, era as planícies do templo sagrado que possuía um item para ter mais força e depois desse diálogo Ulisses foi só anotando no papel todos o lugares que se lembrava, estava praticamente fazendo uma mapa para se lembrar de não ir ao lugar.
Ouviu batidas na porta e logo em seguida ela se abriu, ouviu alguém correndo em sua direção e ao olhar para ver quem era viu sua irmã vindo em sua direção com um sorriso muito bonito.
— Irmão é hora do almoço, mamãe e papai estão te esperando para começar.
— Certo, vamos então.
Ulisses tirou toda a sua atenção do que estava fazendo e foi até a sua irmã, lhe estendendo a mão, a garotinha olhou por uns segundos para a mão de seu irmão, logo em seguida olhou para o rosto de Ulisses que estava com um sorriso e logo depois disse com uma expressão confusa:
— O que quer que eu faça?
— Ah... bem... — começou Ulisses — não quer segurar na mão do seu irmão mais velho?
— S-sério mesmo? — disse Ellie animada — Vai deixar que eu segure sua mão?
— Claro, vamos juntos para almoçar.
— Esse é o melhor dia da minha vida!
Ellie segurou a mão do irmão e o puxou na direção da saída, passando por seu mordomo percebeu que ele havia ficado bem surpreso, mas por passar praticamente correndo por ele não teve tempo de pensar em algo que explicasse toda essa surpresa em seu rosto.
Conforme Ulisses passava pelos corredores com sua irmã, via que os empregados ainda estavam surpresos e uns até cochichavam uns com os outros, nesse momento decidiu que mais tarde iria descobrir o que aquilo estava significando pois estava muito estranho.
Chegando na sala de jantar os dois irmãos foram para seus lugares e conforme comiam, todos estavam compartilhando como estavam sendo seus dias. Ellie era a que mais estava falando, animada e com um sorriso fofo em seu rosto, Ulisses de certa forma estava gostando de todos os membros de sua nova família, principalmente de sua irmã.
— Depois disso, a Madame Edia me disse para treinar mais a minha escrita.
— Tenho certeza que vai ter uma caligrafia linda — disse Eduina — e você Ulisses, o que aprendeu hoje em sua aula?
— Nada de mais... — Ulisses riu suavemente — Mas posso dizer que Ellie, apesar da idade, entendeu um pouco o meu conteúdo, mesmo com pouca idade.
— Ellie... — Eduina olhou para a garota, com um semblante surpreso e levemente orgulhosa — Eu sabia que era muito inteligente.
— Hehe... eu sou — A garota cruzou os braços convencida.
Ulisses riu com a situação, enquanto comia um pouco da comida no seu prato. Era estranho ter esses momentos em família, porém, pensava-se um dos melhores momentos da sua vida.
Enquanto estava comendo e as figuras femininas da mesa estavam conversando, Haru olhou para o filho e o analisou com os olhos. Ele sabia que tinha algo de diferente em Ulisses, mas não sabia ao certo o que poderia ser, porém, mesmo com isso, decidiu que seu filho poderia estar apenas crescendo e consequentemente ficando cada vez mais maduro.
— Está pronto para o treinamento de hoje?
— Ah... s-sim... — Ulisses levantou o olhar e olhou para Haru — estou animado, de certa forma.
— Fico contente por isso.
As palavras de Ulisses não estavam erradas, ele realmente estava animado para começar o seu treinamento com o seu pai. Era como se fosse um verdadeiro começo para algo grande, como se fosse o primeiro passo para ir para longe da protagonista feminina. De certa forma, estava animado para ficar fora do caminho dela. Quem não iria ficar animado e ao mesmo tempo aliviado para ficar longe de problemas?